Falta de água volta a atingir Salto e SAAE inicia rodízio emergencial

Os moradores de Salto passaram a enfrentar, a partir deste sábado (27), um rodízio no abastecimento de água em diversos bairros do município. A medida foi anunciada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) como ação emergencial diante do aumento expressivo no consumo provocado pela onda de calor que atinge o estado de São Paulo.

Segundo a autarquia, o consumo de água na cidade cresceu cerca de 60% nos últimos dias, dificultando a recuperação dos reservatórios, principalmente nas regiões mais altas. O rodízio funciona em ciclos de 24 horas, com revezamento no fornecimento entre grupos de bairros, e inicialmente está previsto até quarta-feira (31).

O SAAE afirma que o abastecimento não será interrompido em toda a cidade, atingindo apenas áreas com maior dificuldade operacional. Mesmo assim, a decisão gerou insatisfação entre moradores, que relatam enfrentar falta de água com frequência, inclusive antes do início do verão.

O cronograma divulgado prevê que os bairros Santa Efigênia e a região do Bela Vista tenham abastecimento nos dias 27, 29 e 31 de dezembro, ficando sem água nos dias 28 e 30. Já as regiões de Santa Cruz, Monte Pascoal e área Central recebem água nos dias 28 e 30, com interrupções nos dias 27, 29 e 31.

Apesar da justificativa oficial relacionar o problema à onda extrema de calor, moradores afirmam que a crise no abastecimento é antiga. Nas redes sociais da Prefeitura e de lideranças políticas, são recorrentes os relatos de torneiras secas, baixa pressão e longos períodos sem água, principalmente em bairros mais novos e afastados.

Uma moradora do Residencial Barnabé, que preferiu não se identificar, relatou estar sem água desde o dia 22 de dezembro. Segundo ela, a família passou o Natal sem abastecimento e precisou comprar água para consumo básico. Ela afirma ainda que, ao procurar atendimento, teve a situação minimizada por funcionários do SAAE.

A situação também gerou críticas de antigos representantes do Legislativo municipal. O ex-presidente da Câmara, Cícero Landim, afirmou que Salto não recebe investimentos estruturais significativos em recursos hídricos desde o fim da década de 1990 e que o crescimento urbano desordenado agravou o problema. Segundo ele, dezenas de loteamentos foram liberados sem a ampliação proporcional da infraestrutura de abastecimento.

Em nota, o SAAE informou que acompanha o sistema em tempo real e que o cronograma pode sofrer ajustes conforme o comportamento do consumo e a recuperação dos reservatórios. Em casos emergenciais, a população pode entrar em contato pelo telefone 0800 779 6300, e caminhões-pipa poderão ser acionados.

Já a Prefeitura de Salto afirmou que está investindo em obras estruturais para enfrentar a crise hídrica. Entre os projetos citados estão a construção da ETA Barnabé, o avanço das obras da represa do Ribeirão Piraí, a futura captação de água do Rio Jundiaí e a construção da nova Estação de Tratamento de Água do Buru, com investimento superior a R$ 36 milhões por meio do PAC.

Enquanto as obras não são concluídas, a população segue convivendo com o rodízio e cobrando soluções definitivas para um problema que, segundo muitos moradores, deixou de ser pontual e se tornou parte da rotina da cidade.