Com gastos em alta, governo Lula caminha para fechar 2025 com um dos maiores rombos fiscais desde o Plano Real

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encerrar o ano de 2025 com um dos piores desempenhos fiscais desde o Plano Real, aprofundando o cenário de desequilíbrio das contas públicas e colocando em xeque o discurso de responsabilidade fiscal adotado pelo Palácio do Planalto. Dados oficiais já divulgados e projeções econômicas indicam que o rombo nas contas federais será expressivo, mesmo com a flexibilização das regras fiscais promovida pelo próprio governo.

Até novembro, o déficit primário do governo central já se aproximava de R$ 84 bilhões, resultado que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. O número evidencia uma trajetória de deterioração fiscal ao longo do ano, impulsionada pelo crescimento acelerado das despesas e pela incapacidade do governo de equilibrar receitas e gastos. Apenas no mês de novembro, o déficit ultrapassou R$ 20 bilhões, sinalizando que o fechamento do ano dificilmente escapará de um resultado negativo robusto.

Apesar de o novo arcabouço fiscal permitir um descumprimento controlado da meta de déficit zero, o próprio governo reconheceu a frustração do resultado ao revisar a projeção oficial para um rombo em torno de R$ 30 bilhões em 2025. Na prática, a regra criada para substituir o teto de gastos acabou funcionando como uma autorização formal para gastar mais, sem apresentar contrapartidas claras de controle das despesas obrigatórias.

O quadro se torna ainda mais preocupante quando se observa o resultado nominal, que inclui o pagamento de juros da dívida pública. Dados do Banco Central mostram que o déficit do setor público consolidado ultrapassou R$ 1 trilhão no acumulado de 12 meses até outubro, patamar considerado alarmante por economistas e analistas do mercado financeiro. Em termos nominais, o resultado já figura entre os maiores da história recente do país.

Especialistas apontam que a política econômica adotada pelo governo Lula tem priorizado a expansão de gastos e programas, sem promover reformas estruturais capazes de garantir sustentabilidade fiscal no médio e longo prazo. O crescimento das despesas obrigatórias, aliado ao alto custo da dívida e à dependência de receitas extraordinárias, expõe a fragilidade das contas públicas e limita a capacidade de investimento do Estado.

Embora o governo argumente que comparações históricas devem considerar fatores como inflação e crescimento do PIB, analistas avaliam que o desempenho fiscal de 2025 reforça a percepção de perda de controle sobre o orçamento. O resultado contrasta com promessas de campanha e discursos oficiais que defendiam equilíbrio fiscal como condição para o crescimento econômico.

Os números definitivos ainda dependem do fechamento das contas de dezembro, mas o cenário já desenha um alerta claro. O governo Lula termina 2025 pressionado por um rombo bilionário, dívida em trajetória ascendente e crescente desconfiança do mercado quanto à capacidade da atual gestão de reverter o desequilíbrio das finanças públicas.