A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal.
Também é alvo da operação o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e proprietário do Banco Pleno. Ao todo, os agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.
Segundo a Polícia Federal, os fatos apurados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Entre as suspeitas investigadas está o repasse de um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões de Augusto Lima para Jaques Wagner.
Além do senador e do empresário, também são alvos de buscas Eduardo Sodré Martins, secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia e enteado de Wagner, e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, pai de Eduardo.
A investigação também analisa a relação entre Wagner e Augusto Lima, iniciada a partir de negociações envolvendo a antiga rede de supermercados estatais Cesta do Povo, na Bahia. À época, Wagner participou do processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede. Após tentativas de venda sem sucesso, Lima apresentou propostas para ampliar os serviços oferecidos pelos cartões da rede, que posteriormente deram origem ao programa Credcesta, considerado um dos principais ativos financeiros ligados ao grupo empresarial posteriormente associado ao Banco Master.
Dados obtidos por meio da quebra de sigilo fiscal do banco e encaminhados à CPI do Crime Organizado apontam que a BN Financeira, empresa pertencente a Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner, recebeu cerca de R$ 12 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. O senador também aparece como destinatário de R$ 289 mil em movimentações registradas nos documentos. Na ocasião da divulgação das informações, Wagner afirmou que os valores correspondiam a rendimentos de aplicações financeiras mantidas na instituição.
A atual fase da operação ocorre após uma série de desdobramentos iniciados em novembro de 2025, quando a primeira etapa da Compliance Zero resultou na prisão de Daniel Vorcaro e de Augusto Lima. Na mesma ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Dias depois, Vorcaro foi solto e passou a utilizar tornozeleira eletrônica. Em março deste ano, ele voltou a ser preso e permanece detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
As investigações apontam que a organização supostamente liderada por Vorcaro teria atuado em operações financeiras consideradas irregulares, além de possíveis práticas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, obtenção indevida de informações sigilosas e articulação política para favorecer interesses do grupo. A Polícia Federal também apura transações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e possíveis benefícios concedidos a agentes públicos.
Em nota enviada à imprensa, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas nesta quinta-feira eram desnecessárias.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.”
A defesa acrescentou ainda:
“Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”
Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Jaques Wagner não havia se manifestado sobre a operação. O espaço permanece aberto para posicionamentos dos citados.