O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a intensificar o tom contra o Irã ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, caso o país não atenda às exigências norte-americanas. A declaração foi feita nesta terça-feira, 7, horas antes do prazo final estabelecido por Washington.
O ultimato está ligado à reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial da commodity. A passagem foi praticamente fechada após recentes ataques envolvendo Estados Unidos e Israel contra território iraniano.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que não deseja que o cenário extremo se concretize, mas indicou que a possibilidade é real. A íntegra da mensagem divulgada pelo presidente diz:
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”
Especialistas em direito internacional classificam as declarações como graves. Avaliações apontam que ameaças desse tipo violam princípios fundamentais do direito internacional e podem configurar crimes como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, previstos em tratados e normas internacionais.
A Organização das Nações Unidas e convenções como a de Genebra estabelecem limites claros para ações militares, proibindo ataques contra civis e infraestruturas essenciais. Para analistas, a retórica adotada por Trump ultrapassa esses limites ao sugerir a destruição de uma nação inteira como forma de pressão.
No Irã, o clima é de mobilização e resistência. Autoridades locais convocaram a população a proteger instalações estratégicas, como usinas de energia. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que milhões de cidadãos estão dispostos a defender o país.
Além do impacto imediato, especialistas alertam para consequências globais. A escalada pode provocar aumento nos investimentos militares, instabilidade nos mercados internacionais e risco ampliado de conflito em larga escala.
Até o momento, não houve avanço nas negociações para um cessar-fogo. Propostas intermediárias foram rejeitadas, e o cenário segue indefinido diante do prazo imposto pelos Estados Unidos.