O presidente Lula foi pego de surpresa com a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, mas o choque inicial rapidamente deu lugar à preocupação política. Após bombardeios em portos e estados venezuelanos e a retirada forçada de Nicolás Maduro de um bunker em Caracas, o governo brasileiro passou a admitir, nos bastidores, que a ofensiva americana pode ter reflexos diretos no cenário eleitoral do Brasil.
Segundo relatos de aliados, Lula inicialmente reagiu com incredulidade ao ser informado pelo chanceler Mauro Vieira sobre a operação ordenada por Donald Trump. A surpresa, no entanto, durou pouco. Ainda no sábado, o presidente convocou duas reuniões no Palácio do Planalto, uma para definir o tom da nota oficial e outra para traçar possíveis cenários geopolíticos e políticos.
A gravidade do episódio foi confirmada por informações repassadas pela embaixadora do Brasil na Venezuela, que relatou mortes nas primeiras horas da ofensiva e danos significativos à infraestrutura do país. O paradeiro de Maduro e os planos concretos dos Estados Unidos seguem indefinidos, o que amplia a instabilidade regional.
Integrantes do governo brasileiro ficaram especialmente alarmados com o discurso de Trump. Em vez de justificar a ação com defesa da democracia, o presidente americano afirmou que passaria a governar a Venezuela e controlar suas reservas de petróleo, numa postura descrita por um ministro como a “subtração de um Estado soberano tratada como troca de comando empresarial”.
Lula tentou articular uma reação internacional, buscando contato com líderes europeus, como o primeiro-ministro da Espanha e o presidente da França. A expectativa era por uma resposta coordenada da União Europeia, que não se concretizou, evidenciando o isolamento diplomático diante da ação americana.
Até o fim do sábado, o Planalto admitia ter mais dúvidas do que respostas. O temor agora é que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela reforce tensões ideológicas na América do Sul e influencie diretamente o debate político e eleitoral no Brasil, num momento em que o governo Lula já enfrenta desgaste interno e dificuldades econômicas.
