A proximidade da Páscoa traz um cenário de alerta tanto para o bolso quanto para a saúde dos consumidores. Levantamento do Procon-SP aponta que os itens tradicionais do período podem apresentar variações de preços de até 178,60% em Sorocaba e região. Ao mesmo tempo, órgãos de saúde reforçam orientações para evitar riscos no consumo, especialmente de pescados, bastante procurados durante a Semana Santa.
A pesquisa do Procon-SP foi realizada no dia 18 de março e analisou 155 itens em sete estabelecimentos comerciais de Sorocaba. Entre os principais vilões, o pimentão amarelo ou vermelho a granel lidera a variação, com preços entre R$ 8,97 e R$ 24,99. Já produtos típicos como o ovo de Páscoa Sonho de Valsa (277g) apresentaram diferença de 40,43%, sendo encontrados entre R$ 46,99 e R$ 65,99. O levantamento inclui ainda itens como azeites, bolos de Páscoa, bombons, azeitonas, legumes, tabletes de chocolate e pescados, tanto in natura quanto congelados.
Nos pescados, presença quase obrigatória na ceia por conta da tradição religiosa, a maior variação foi registrada na corvina inteira, com diferença de 58,20% no quilo. O produto foi encontrado entre R$ 18,90 e R$ 29,90, com preço médio de R$ 24,57. No total, o Procon-SP coletou dados em 80 comércios de 12 municípios paulistas, incluindo cidades como Campinas, Santos, São José dos Campos e a Capital, oferecendo uma referência de preços médios ao consumidor.
Diante desse cenário, o órgão orienta que o consumidor pesquise antes de comprar e avalie não apenas o preço, mas também a qualidade, o peso e o perfil de quem irá consumir os produtos. No caso dos chocolates, é importante considerar idade, preferências e possíveis restrições alimentares. As embalagens devem conter informações claras como prazo de validade, composição, peso líquido e, no caso de ovos com brinquedos, a indicação de faixa etária, dados do fabricante e o selo de segurança do Inmetro.
Além do impacto financeiro, a Vigilância Sanitária faz um alerta importante sobre os cuidados com a qualidade dos alimentos, principalmente pescados, que têm maior consumo nesta época do ano. Por serem altamente perecíveis, peixes e frutos do mar exigem atenção desde a compra. O consumidor deve observar características como carne firme, escamas brilhantes e bem aderidas, olhos salientes e claros, guelras avermelhadas e cheiro suave. Produtos com odor forte, semelhante ao de amônia, ou sem refrigeração adequada devem ser evitados.
A forma de armazenamento também é fundamental. O pescado deve estar sobre gelo, sem contato direto e protegido por material adequado. No caso de congelados, é importante verificar se não há sinais de descongelamento, como embalagens úmidas ou amolecidas. Após a compra, a recomendação é limpar o alimento, retirar vísceras e armazená-lo em recipiente fechado na geladeira o mais rápido possível.
O preparo também exige cuidados. A higiene é essencial, com a correta lavagem das mãos, utensílios e superfícies, além de evitar o contato entre alimentos crus e cozidos. O consumo de peixe cru deve ocorrer em até 24 horas, enquanto o alimento cozido pode ser mantido por até três dias sob refrigeração adequada. No caso do bacalhau, o dessalgue deve ser feito sempre sob refrigeração, nunca em temperatura ambiente.
O consumo de alimentos contaminados pode causar intoxicação alimentar, com sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e, em casos mais graves, necessidade de hospitalização. Por isso, a orientação é planejar as compras e preparar os alimentos o mais próximo possível do momento de consumo. Caso o consumidor identifique irregularidades, como má conservação ou condições inadequadas de higiene, a recomendação é acionar a Vigilância Sanitária do município.
Com preços em alta e riscos à saúde, a recomendação geral é de cautela e planejamento para garantir uma Páscoa equilibrada, segura e sem surpresas desagradáveis.