Após sete meses de trabalhos, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi encerrada sem a aprovação de um relatório final. O parecer apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) acabou rejeitado pela maioria dos integrantes da comissão, com apoio de parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) e partidos aliados.
O documento tinha mais de 4 mil páginas e pedia o indiciamento de 216 pessoas. Entre os nomes citados estava o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o relator, ele teria recebido valores de um dos investigados por meio de intermediários, o que motivou a inclusão de seu nome na lista de indiciamentos.
A rejeição do relatório ocorreu em sessão que se estendeu da manhã de sexta-feira (27) até a madrugada de sábado (28). Com o resultado, o presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu encerrar os trabalhos sem colocar em votação um relatório alternativo apresentado pela base governista.
Durante a reunião, houve tentativa de parlamentares governistas de apresentar um parecer paralelo. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) chegou a solicitar a análise do novo texto, mas o pedido não foi acatado pela presidência da comissão.
Mesmo sem um relatório aprovado, Viana informou que o documento rejeitado será encaminhado a órgãos como o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal. Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o relatório alternativo da base será levado à Polícia Federal.
Instalada em agosto de 2025, a CPMI investigou descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, além de possíveis irregularidades envolvendo empréstimos consignados. Sem consenso entre oposição e base governista, a comissão encerra suas atividades sem uma conclusão oficial, e os desdobramentos devem seguir na esfera judicial.