O forte odor proveniente de granjas e abatedouros de frango tem provocado uma série de reclamações de moradores em diferentes regiões de Iperó. Nos últimos dias, relatos sobre o mau cheiro se intensificaram e apontam que o problema tem afetado a rotina de famílias em diversos bairros do município.
Entre os locais mais citados pelos moradores estão Vale das Orquídeas, Santo Antônio, Portal de Iperó, Jardim Santa Cruz, Jardim Irene, Novo Horizonte e outras regiões da cidade. Segundo os relatos, o odor é percebido em diferentes horários do dia e, em alguns momentos, torna-se tão intenso que obriga moradores a manter portas e janelas fechadas.
De acordo com informações levantadas pela reportagem, Iperó conta atualmente com aproximadamente três granjas e abatedouros de frango de grande porte instalados no município ou em seu entorno, atividades que frequentemente geram reclamações relacionadas aos odores característicos do manejo e processamento de aves.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o secretário de Governo de Iperó, Lúcio Filho, informou que determinou o levantamento de toda a documentação referente às granjas envolvidas nas reclamações. Segundo ele, o licenciamento e a regulamentação desse tipo de empreendimento não são de competência do município, mas sim de órgãos estaduais e federais responsáveis pelo controle ambiental e sanitário.
Ainda conforme o secretário, diante do grande número de manifestações da população, ele pretende ir a Brasília para verificar a situação de regularidade das empresas junto aos órgãos competentes. Durante a gravação, Lucinho classificou a situação como preocupante e afirmou que o cheiro “está insuportável”.
O secretário também declarou que a Prefeitura pretende intensificar a fiscalização de forma rigorosa e que qualquer irregularidade eventualmente constatada será tratada com as medidas administrativas e legais cabíveis pelos órgãos responsáveis.
Além do desconforto causado pelo mau cheiro, moradores afirmam que o problema interfere diretamente na qualidade de vida. Muitos relatam dificuldade para permanecer em áreas externas das residências, abrir janelas para ventilação ou realizar atividades simples do cotidiano devido ao odor persistente.
Outro ponto levantado pela população diz respeito aos possíveis impactos na saúde, principalmente entre pessoas mais sensíveis. Embora o odor, por si só, nem sempre indique risco à saúde, especialistas apontam que a exposição prolongada a gases produzidos pela decomposição de resíduos orgânicos pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de desencadear dores de cabeça, náuseas e agravar problemas respiratórios em pessoas com asma, rinite, bronquite e outras doenças preexistentes.
Moradores também demonstram preocupação com crianças que permanecem durante boa parte do dia nas escolas localizadas próximas às áreas afetadas. Idosos, pessoas acamadas e pacientes com doenças respiratórias ou imunidade reduzida também estão entre os grupos considerados mais sensíveis aos efeitos provocados pelo forte odor.
Outro momento frequentemente citado nas reclamações é o horário das refeições. Segundo os relatos, o cheiro intenso acaba causando perda de apetite, enjoos e grande desconforto para as famílias, que afirmam ter dificuldade para almoçar ou jantar com portas e janelas abertas.
Enquanto aguardam uma solução definitiva, moradores esperam que as fiscalizações anunciadas resultem na identificação das causas do problema e que, caso sejam constatadas irregularidades, sejam adotadas as providências necessárias para reduzir os impactos à população, preservando tanto a atividade econômica quanto a qualidade de vida dos moradores.