Cinco meses após o feminicídio da haitiana Esther Estinor, de 39 anos, em Votorantim, a Polícia Civil prendeu o principal suspeito do crime, o ex-marido Charles Anglade, de 36 anos. Ele foi localizado no Suriname após uma operação de cooperação internacional, deportado ao Brasil e, após audiência de custódia, permanece preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.
As novas informações foram apresentadas nesta terça-feira (4), durante coletiva de imprensa na Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba. Segundo o delegado Rodrigo Ayres, a investigação mudou de rumo poucas horas após o registro do desaparecimento de Esther, quando policiais encontraram vestígios de sangue na residência da vítima e iniciaram buscas em uma área de mata próxima, onde localizaram as primeiras partes do corpo.
“Usamos toda a tecnologia disponível, colocamos as equipes em campo e conseguimos esclarecer o crime rapidamente. Depois disso, nosso objetivo passou a ser localizar o autor”, afirmou o delegado.
Com a prisão preventiva decretada, a Polícia Civil descobriu que Charles havia deixado o Brasil. A partir disso, solicitou a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. O trabalho de inteligência permitiu rastrear a rota de fuga até o Suriname, onde o investigado trabalhava informalmente e utilizava uma identidade chilena falsa para tentar dificultar sua localização.
Segundo Rodrigo Ayres, a prisão foi possível graças à atuação conjunta da Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério da Justiça, Ministério das Relações Exteriores, Interpol e autoridades do Suriname. Diante da gravidade do crime e da condição de procurado internacional, o país decidiu deportá-lo para o Brasil.
O delegado da 3ª Delegacia de Homicídios de Sorocaba, Camilo Pastor Veiga, destacou que a captura é resultado de um trabalho ininterrupto de investigação desde o desaparecimento da vítima, registrado em 8 de março.
“Foi um trabalho de inteligência policial, com intercâmbio de informações entre a Polícia Civil, a Polícia Federal, o Ministério da Justiça, o Ministério das Relações Exteriores e agências internacionais. Essa força-tarefa permitiu que conseguíssemos prender Charles no Suriname”, disse.
De acordo com a investigação, Charles não aceitava o fim do relacionamento com Esther. Após o crime, fugiu clandestinamente do Brasil com dinheiro obtido em um trabalho informal e pretendia seguir para o Haiti, mas permaneceu no Suriname por falta de recursos financeiros.
Apesar da prisão, o inquérito ainda não foi concluído. A Polícia Civil pretende interrogar formalmente o suspeito e realizar novas diligências para localizar a cabeça e as mãos de Esther, únicas partes do corpo que ainda não foram encontradas.
Durante a coletiva, Camilo Pastor Veiga classificou o caso como um dos mais violentos de sua carreira. “Eu tenho vários anos de experiência na Delegacia de Homicídios e posso afirmar com absoluta certeza que esse foi o mais bárbaro que investiguei até hoje”, afirmou.
O delegado informou ainda que solicitará autorização judicial para que Charles seja novamente levado a Sorocaba, onde deverá prestar novos esclarecimentos e indicar o possível local onde ocultou as partes do corpo ainda desaparecidas.
Relembre o caso
Esther Estinor desapareceu no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, após sair de casa, no Jardim Tatiana, em Votorantim. Dias depois, partes de seu corpo foram encontradas em uma área de mata localizada nos fundos da residência onde ela morava.
A investigação aponta que o crime foi motivado pelo inconformismo do ex-companheiro com o término do relacionamento. Esther vivia no Brasil havia cerca de cinco anos, trabalhava em um restaurante da região e deixou três filhos, que atualmente estão sob os cuidados da irmã, também residente em Votorantim.