O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (1º) que os novos diálogos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes sejam analisados pelo plenário da Corte.
A manifestação ocorreu no despacho em que Mendonça retirou o sigilo das conversas, até então inéditas. O ministro é relator do processo relacionado à Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
As mensagens foram obtidas por meio da quebra de sigilo do celular de Vorcaro e apresentam referências aos nomes de Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O conteúdo e a autenticidade dos diálogos ainda deverão ser analisados pelas autoridades competentes.
Segundo Mendonça, o plenário do Supremo é a instância adequada para examinar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal.
“O caminho inevitável dos presentes autos leva ao plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial”, afirmou o ministro.
Mendonça também defendeu que uma eventual análise do caso seja realizada em sessão presencial, com acesso público e transparência.
“A aludida deliberação, pelo plenário da Corte, deverá ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial do colegiado”, completou.
A inclusão do assunto na pauta depende do presidente do STF, ministro Edson Fachin, responsável pela organização do calendário de julgamentos da Corte.
Caso o processo seja levado ao plenário, os ministros poderão avaliar, entre outros pontos, se os elementos encontrados justificam a abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
No início de 2026, já haviam sido divulgadas mensagens que teriam sido trocadas entre Vorcaro e Moraes. O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha contratos com o Banco Master. Na ocasião, Alexandre de Moraes negou ter conversado com o ex-banqueiro.