8 de agosto de 2026

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De Mala e Cuia… e Língua Afiada: Dona Maria Chega a Iperó

Meus fio… senta que lá vem conversa, porque essa véia quando começa a falar é igual novela das oito: cê pensa que vai acabar cedo e, quando vê, já perdeu a hora da janta.

SEGURA ESSA MUDANÇA!

Depois de tantos anos morando em Araçoiaba da Serra, essa véia resolveu mudar de endereço. Juntei minhas tralha tudo, amarrei o fogão com uma corda que já deve ter mais idade que muito vereador, coloquei o guarda-roupa em cima da caminhonete, o filtro de barro, meus inseparáveis vasos de arruda e de comigo-ninguém-pode — porque política e inveja andam mais grudadas que etiqueta de pote de sorvete — e segui rumo a Iperó. Mas num pense que essa véia veio sozinha, não. Veio o Bob, meu cachorro caramelo, que fareja novidade melhor que muito investigador; veio o Leoncio, meu gato, que fica em cima do muro igual quem não quer tomar partido, mas sabe de tudo; e veio o papagaio Tico… esse aí é um perigo público. O desgramado escuta uma conversa escondido e depois sai repetindo mais que áudio de grupo de WhatsApp. Se deixar ele entrar na Câmara uma vez, no outro dia já sabe quem cochilou, quem discursou e quem só levantou a mão porque viu o colega levantando também.

ONDE TEM FUMAÇA… ESSA VÉIA CHEGA!

Lá em Araçoiaba as coisas estavam tão tranquilas que até as fofoca precisavam marcar horário pra acontecer. Tava tudo calminho, parecia chá de camomila. E vou confessar uma coisa pra ocês: essa véia pode estar cheia de reumatismo, dor no joelho e precisar levantar da cadeira igual porta enferrujada… mas não nasceu pra viver de potinho de gelatina diet, não. Essa véia gosta é de um caldeirão fervendo igual sopa de frango caipira daquelas que cozinha no fogão a lenha desde cedo, faz “ploc, ploc, ploc” o dia inteiro e deixa a vizinhança inteira curiosa querendo saber o que tem lá dentro. Política boa é igual isso: quando começa a ferver, até quem dizia que não gostava aparece pra dar uma espiadinha.

EITA CIDADE QUE GOSTA DE MOVIMENTO!

E bastou essa véia colocar um pé em Iperó que já percebi que aqui o fogão fica aceso o tempo todo. Tem promessa saindo mais depressa que pão quente na padaria, tem obra que começa, tem obra que termina, tem obra que ganha placa antes de ganhar cimento e tem inauguração que às vezes parece aniversário de criança: tem bexiga, fita, fotografia, discurso, parabéns… só falta distribuir saquinho de doce no final.

PUXA A CADEIRA, MAS NÃO PUXA SARDINHA!

Agora, já vou logo avisando pros apressadinhos de plantão: essa véia não veio pra torcer por camisa de ninguém. Meu partido continua sendo o mesmo desde que eu usava vestido de chita e penteava o cabelo com pente de bolso. Quem fizer direito vai ganhar elogio. Quem trabalhar pelo povo merece reconhecimento. Mas quem resolver vender fumaça em embalagem de presente vai descobrir que essa véia tem alergia a conversa mole. Minha paciência é igual pacote de bolacha aberto: depois que perde a crocância, não tem quem faça voltar.

ÓCULOS NOVO, OLHO MAIS AFIADO AINDA!

Essa semana mesmo já fui providenciar um óculos novo. Não porque a vista tá ruim… a vista dessa véia continua boa demais. O óculos é só pra enxergar melhor as letrinhas pequenas das promessas, porque é ali que mora a pegadinha. Vou acompanhar todas as sessões da Câmara Municipal bem de pertinho. Mas bem pertinho mesmo. Daquele jeito que até a tosse do vereador dá pra saber se foi sincera ou estratégica. Quero ver quem estuda os projetos, quem fiscaliza, quem faz pergunta difícil, quem trabalha em silêncio e também quero descobrir aquele cidadão que faz um discurso tão comprido que, se plantar um pé de mandioca quando ele começa a falar, dá tempo de colher antes dele terminar o agradecimento.

E essa véia também vai rondar a Prefeitura. Vou olhar obra, licitação, investimento, anúncio, maquinário, contrato, reforma e tudo aquilo que mexe com a vida do povo. Porque promessa é igual perfume de loja chique: é gostosa enquanto passa, mas depois de um tempo some. O que fica mesmo é rua arrumada, posto funcionando, escola boa e serviço prestado.

A EQUIPE DE INVESTIGAÇÃO TÁ COMPLETA!

Enquanto isso, o Bob já tá fazendo ronda pela cidade inteira como se fosse fiscal concursado. O Leoncio continua em cima do muro observando tudo com aquela cara de quem já sabia que isso ia acontecer. E o Tico… Deus tenha misericórdia… já aprendeu a falar “bom dia” e daqui a pouco aprende “pedido de vista”, “aprovado por unanimidade” e “voltaremos a esse assunto na próxima sessão”. Aí acabou de vez o sossego dessa cidade.

NÃO CONTO PRA NINGUÉM… SÓ ESCREVO!

Então, meus fio, preparem o café, coloquem uma cadeira na calçada e não estranhem se encontrarem essa véia andando pra lá e pra cá. Vou estar na feira, na praça, na padaria, na Câmara, na Prefeitura, onde tiver notícia e, principalmente, onde disserem aquela frase que toda velha fofoqueira adora ouvir: “Dona Maria… mas a senhora não conta pra ninguém, viu?”. E eu respondo na maior sinceridade: “Claro que não conto pra ninguém…”… só escrevo na coluna da semana seguinte.

AQUI COMEÇA A FOF… DIGO… A FISCALIZAÇÃO!

Porque agora essa véia é moradora de Iperó. E podem ter certeza de uma coisa: vou colocar meus óculos, afiar a língua igual faca de açougueiro, abrir bem os ouvidos e ficar de olho em tudo. Tudinho mesmo. E toda semana vou voltar aqui pra contar tim-tim por tim-tim, com café passado na hora, uma pitada de sarcasmo, duas colheradas de ironia e aquele jeitinho de velha do interior que fala o que pensa sem perder o bom humor. Afinal, política muda toda semana… mas curiosidade de véia, meus fio, essa nem benzedeira dá conta de curar.

Agora essa véia vai embora porque o Tico já começou a repetir conversa demais, o Bob tá latindo pro carteiro sem motivo e o Leoncio acabou de subir no muro do vizinho. Sinal de que tem novidade vindo por aí… e onde tem novidade, meus fio… podem apostar que essa véia aparece.

Agora, se tem gente lendo isso com a orelha em pé, fiquem tranquilos, viu? Essa véia só ouve as histórias no portão e conta com um toquezinho de humor. Aqui, a língua não é venenosa, é só afiada! Afinal, em cidade pequena, a gente ri pra não chorar.

  • Nota: Este texto é uma peça única e exclusiva de humor e sátira. Qualquer semelhança com eventos reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como afirmação de fatos. A intenção é apenas divertir e entreter, sem prejudicar ninguém.

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