A previsão de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses coloca em atenção também a qualidade do ar no estado de São Paulo. As mudanças nos padrões de temperatura, circulação atmosférica e chuva provocadas pelo fenômeno podem influenciar a concentração e a dispersão de poluentes, com possíveis impactos à saúde da população.
O acompanhamento é realizado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), que dispõe de uma rede com 85 estações de monitoramento, sendo 63 automáticas e 22 manuais, distribuídas por diferentes regiões paulistas.
A questão ganhou destaque após o anúncio da Operação SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027, realizado pelo Governo do Estado no dia 15 de outubro. A iniciativa prevê monitoramento contínuo das condições climáticas até o fim de 2027, com boletins meteorológicos diários e classificação das regiões em quatro níveis operacionais de alerta.
Segundo o quarto boletim do Painel El Niño 2026–2027, divulgado neste mês pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e órgãos federais, a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026 supera 95%.
O El Niño modifica os padrões de circulação atmosférica e pode favorecer ou dificultar a dispersão de poluentes, dependendo das condições meteorológicas de cada região. Por isso, o acompanhamento das concentrações de substâncias presentes no ar é considerado importante para identificar alterações e orientar medidas de prevenção.
As estações da Cetesb monitoram poluentes como material particulado, formado por poeira e fuligem, ozônio, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e monóxido de carbono. Nas unidades automáticas, os dados são disponibilizados praticamente em tempo real.
A rede recebeu recentemente uma nova estação automática em Sapopemba, na Zona Leste da capital paulista. Em 2026, a companhia também ampliou o monitoramento do material particulado fino (MP2,5), com novos analisadores instalados nas estações de Santo André-Capuava, Sorocaba e Campinas-Taquaral.
O MP2,5 é composto por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. A exposição a concentrações elevadas está associada ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
De acordo com a diretora de Qualidade Ambiental da Cetesb, Maria Helena Martins, a rede permite acompanhar diferentes regiões do estado, fornecer informações atualizadas à população e subsidiar decisões do poder público, especialmente diante de períodos de maior variabilidade climática.
A população pode consultar as condições da qualidade do ar antes de praticar atividades físicas ao ar livre, por meio do portal ou do aplicativo oficial da Cetesb. A companhia também publica diariamente, às 11h, o Boletim Diário de Qualidade do Ar, com informações sobre as 24 horas anteriores e previsões para as horas seguintes.
Os índices são classificados em cinco categorias: boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem ter atenção especial aos resultados.
Quando a qualidade do ar apresenta piora, a recomendação é reduzir atividades físicas intensas ao ar livre e reforçar os cuidados com os grupos mais vulneráveis.
O boletim pode ser consultado no portal da Cetesb.