Nem desfiz as malas e já sei demais
Meus fio, essa véia não chegou em Iperó não faz nem 15 dias e já tá sabendo de cada coisa! Assunto é o que não falta nessa cidade, hein? Assim dá gosto de escrever pra vocês. Achei que ia chegar, arrumar minhas tralhas, colocar a arruda na janela e descansar. Descansar o quê! Aqui, se a véia piscar, perde três acontecimentos e quatro conversas de portão.
Alguém salva a capivara!
E desde que cheguei, meu papagaio Tico não para: “Vou puxar sua capivara! Vou puxar sua capivara!” Não sei quem ensinou isso, mas o bicho acorda e dorme querendo puxar a capivara dos outros. Já falei: “Tico, larga a capivara do povo!”. Não adianta.
Ô cheirinho que chegou primeiro que eu
Agora, minha gente do céu, que catinga de galinheiro é essa? Quando cheguei fiquei sabendo desse negócio, mas não tinha noção desse fedor de galinha pela cidade. O cheiro entra sem bater, atravessa a janela e parece que senta no sofá. Até levei o Tico no Container Pet pra saber se o “vou puxar sua capivara” era efeito do cheiro. Mas não. O papagaio tá bom. Ruim tá o nariz dessa véia, que já tá pedindo adicional de insalubridade.
Assumiu a cadeira, mas cadê a voz?
Já fui na sessão da Câmara e fiquei sabendo que tem vereador novo por lá. O eleito virou secretário e o suplente assumiu. Mas, meus fio… o suplente assumiu e a voz dele sumiu? O coitado tava tão parado que parecia os ônibus velhos e quebrados da Rápido Luxo. Acho que até o microfone ficou esperando ele falar. Tem uns por lá que só estão pela misericórdia de Nossa Senhora da Escadinha. Se colocar um espelho embaixo do nariz e embaçar, já pode comemorar.
Fofoca não, informação!
Outra coisa que fiquei sabendo é que tem cada fofoca… ops, fofoca não: informação, nos grupos de WhatsApp! Aquilo é mais animado que novela mexicana do SBT. É áudio, print, figurinha, denúncia, resposta e contra-resposta. Logo essa velha também vai estar no zap-zap. E já aviso: quero entrar em todos os grupos! Essa véia quer saber tim-tim por tim-tim.
A ponte virou celebridade
Inclusive, quero saber daquela bendita ponte, porque olha… que ponte pra dar dor de cabeça! Toda semana alguém pergunta, responde, fotografa ou promete… e a ponte lá, plena, mais famosa que muito político. Daqui a pouco ganha título de eleitor e grupo próprio no WhatsApp.
A CIA de Iperó é na rodoviária
Na quarta-feira, vi janela fechada, porta trancada e gente andando rápido pela rua. Pensei: “Meu Deus, soltaram algum bicho? Vão aumentar o IPTU?”. Como boa apreciadora da informação, passei na rodoviária.
Meus fio, quer saber o que acontece na cidade? Vai na rodoviária! Ali sabem de tudo. Em quinze minutos já tinha informação pra três colunas e ainda sobrava assunto pro café.
Era o Lula, minha gente!
Foi ali que descobri que o nosso digníssimo presidente Lula estava na cidade. Aí entendi o povo fechando janela e colocando cadeado no portão. Mas que maldade, minha gente! Tudo isso por causa da visita do pobre velho indefeso? Pensei até em oferecer um café: “Pode entrar, presidente, mas cuidado com o Tico”. Imagina o homem chegando e o papagaio: “VOU PUXAR SUA CAPIVARA!” Pronto! Essa véia aparece no Jornal Nacional antes de completar um mês em Iperó.
E não deu nem 15 dias! Já teve cheiro de galinha, ponte famosa, vereador silencioso, grupo de WhatsApp, central de inteligência na rodoviária e até visita presidencial. Desse jeito, daqui a um mês vou precisar contratar uma secretária.
Agora essa véia vai embora porque o Tico já começou a repetir conversa demais, o Bob tá latindo pro carteiro sem motivo e o Leoncio acabou de subir no muro do vizinho. Sinal de que tem novidade vindo por aí… e onde tem novidade, meus fio… podem apostar que essa véia aparece.
Agora, se tem gente lendo isso com a orelha em pé, fiquem tranquilos, viu? Essa véia só ouve as histórias no portão e conta com um toquezinho de humor. Aqui, a língua não é venenosa, é só afiada! Afinal, em cidade pequena, a gente ri pra não chorar.
- Nota: Este texto é uma peça única e exclusiva de humor e sátira. Qualquer semelhança com eventos reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como afirmação de fatos. A intenção é apenas divertir e entreter, sem prejudicar ninguém.