22 de junho de 2026

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Invasão ao sistema da Defesa Civil dispara alertas falsos para cerca de 30 milhões de pessoas em oito unidades da federação

Cerca de 30 milhões de pessoas receberam alertas falsos após invasão ao sistema da Defesa Civil. PF e Anatel investigam o ataque, que gerou 10 mensagens fraudulentas.

Uma invasão ao sistema nacional de alertas da Defesa Civil provocou o envio de mensagens falsas para usuários de telefonia móvel em pelo menos sete estados e no Distrito Federal entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20). Segundo informações do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, os disparos ocorreram entre 23h41 e 1h23.

De acordo com levantamento preliminar, os alertas chegaram a moradores de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Somadas, essas localidades concentram cerca de 30 milhões de habitantes. Além das capitais, municípios do interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul também receberam as notificações.

Em entrevista coletiva realizada neste sábado, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, informou que foram emitidos dez alertas distintos durante a invasão.

“Foram nove mensagens emitidas pelo Cell Broadcast [sistema implantado em 2025] e uma pelo sistema SMS [sistema utilizado desde 2014 e substituído no ano passado]”, afirmou Wolff.

As mensagens falsas continham termos como “misantropia” e “invasão alienígena”, além do alerta sonoro característico utilizado em situações de emergência. Segundo o secretário, o primeiro aviso foi disparado para a cidade de Curitiba e, em seguida, outros alertas foram enviados para diferentes regiões do país.

“Sabemos que o primeiro alerta partiu do Paraná. Depois que o acesso foi desativado, outras mensagens foram emitidas”, disse.

O sistema Defesa Civil Alerta utiliza a tecnologia Cell Broadcast para encaminhar mensagens de emergência diretamente aos celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio ou instalação de aplicativos. A ferramenta é usada para avisar a população sobre desastres naturais e eventos climáticos extremos.

A Polícia Federal conduz as investigações em conjunto com a equipe técnica da Defesa Civil para identificar os responsáveis pelo ataque cibernético. As autoridades ainda apuram se a ação foi praticada por uma única pessoa ou por um grupo organizado.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também acompanha o caso. Em nota, a agência informou que, até o momento, os alertas falsos não teriam passado pelos canais oficiais da plataforma técnica operada pela Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações (ABR Telecom).

Questionado sobre a segurança do sistema, Wolnei Wolff afirmou que medidas de aprimoramento já vinham sendo desenvolvidas antes do incidente.

“Não é a primeira vez que sistemas de órgãos públicos são atacados por hackers cometendo crimes cibernéticos”, disse. “Lamentavelmente têm pessoas que se propõem a faz um desserviço à nação”, complementou.

O secretário destacou ainda que o episódio servirá para reforçar os mecanismos de proteção da plataforma.

“Temos que considerar o que aconteceu nesse ataque. Como essas pessoas conseguiram fazer o ataque, ultrapassar a nossa segurança”, concluiu.

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