Uma invasão ao sistema nacional de alertas da Defesa Civil provocou o envio de mensagens falsas para usuários de telefonia móvel em pelo menos sete estados e no Distrito Federal entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20). Segundo informações do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, os disparos ocorreram entre 23h41 e 1h23.
De acordo com levantamento preliminar, os alertas chegaram a moradores de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Somadas, essas localidades concentram cerca de 30 milhões de habitantes. Além das capitais, municípios do interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul também receberam as notificações.
Em entrevista coletiva realizada neste sábado, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, informou que foram emitidos dez alertas distintos durante a invasão.
“Foram nove mensagens emitidas pelo Cell Broadcast [sistema implantado em 2025] e uma pelo sistema SMS [sistema utilizado desde 2014 e substituído no ano passado]”, afirmou Wolff.
As mensagens falsas continham termos como “misantropia” e “invasão alienígena”, além do alerta sonoro característico utilizado em situações de emergência. Segundo o secretário, o primeiro aviso foi disparado para a cidade de Curitiba e, em seguida, outros alertas foram enviados para diferentes regiões do país.
“Sabemos que o primeiro alerta partiu do Paraná. Depois que o acesso foi desativado, outras mensagens foram emitidas”, disse.
O sistema Defesa Civil Alerta utiliza a tecnologia Cell Broadcast para encaminhar mensagens de emergência diretamente aos celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio ou instalação de aplicativos. A ferramenta é usada para avisar a população sobre desastres naturais e eventos climáticos extremos.
A Polícia Federal conduz as investigações em conjunto com a equipe técnica da Defesa Civil para identificar os responsáveis pelo ataque cibernético. As autoridades ainda apuram se a ação foi praticada por uma única pessoa ou por um grupo organizado.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também acompanha o caso. Em nota, a agência informou que, até o momento, os alertas falsos não teriam passado pelos canais oficiais da plataforma técnica operada pela Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações (ABR Telecom).
Questionado sobre a segurança do sistema, Wolnei Wolff afirmou que medidas de aprimoramento já vinham sendo desenvolvidas antes do incidente.
“Não é a primeira vez que sistemas de órgãos públicos são atacados por hackers cometendo crimes cibernéticos”, disse. “Lamentavelmente têm pessoas que se propõem a faz um desserviço à nação”, complementou.
O secretário destacou ainda que o episódio servirá para reforçar os mecanismos de proteção da plataforma.
“Temos que considerar o que aconteceu nesse ataque. Como essas pessoas conseguiram fazer o ataque, ultrapassar a nossa segurança”, concluiu.