O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (4), durante o lançamento do Novo Desenrola Brasil, que é “bom” que a população tenha capacidade de se endividar, ao mesmo tempo em que apresentou medidas para reduzir o número de brasileiros inadimplentes.
O programa do governo federal é voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos e permite a renegociação de dívidas como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A proposta prevê descontos que podem chegar a até 90% e autoriza o uso de até 20% do saldo do FGTS para quitação de débitos.
Apesar de lançar uma iniciativa para aliviar o endividamento, Lula defendeu que contrair dívidas faz parte da economia e pode ser positivo quando ocorre com responsabilidade. “É muito bom que o povo tenha capacidade de se endividar”, declarou. Em outro momento, afirmou que as pessoas não devem gastar mais do que podem pagar.
A fala ocorre em um cenário em que milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para quitar dívidas básicas. O próprio presidente reconheceu que grande parte da população se endivida para cobrir despesas essenciais, como alimentação e itens do dia a dia, e não por gastos considerados supérfluos.
Ainda assim, Lula voltou a citar a crise de 2008 para justificar o incentivo ao consumo, dizendo que, na época, orientou a população a não ter medo de se endividar, desde que houvesse responsabilidade no controle dos gastos.
O governo também anunciou a criação de um fundo garantidor para facilitar a renegociação com bancos e afirmou que beneficiários do programa não poderão gastar com apostas online por um período determinado.
Enquanto o Desenrola busca “limpar o nome” de brasileiros e reabrir acesso ao crédito, a declaração de que é “bom” se endividar expõe uma contradição direta entre o discurso de estímulo ao crédito e a realidade de uma população já pressionada por dívidas.