20/10/2026

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Lula e Flávio fazem primeiro debate das eleições na TV Band

Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre corrupção, defendeu o fim da escala 6x1 e apresentou propostas para segurança, saúde e economia durante debate na Band.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram, na noite deste domingo (18), do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, promovido pela TV Bandeirantes, em São Paulo. O encontro foi marcado por confrontos sobre corrupção, economia, segurança pública, saúde e direitos trabalhistas, a uma semana da votação, marcada para 25 de outubro.

Flávio chegou ao debate após terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Durante o confronto, o candidato do PL concentrou parte de suas intervenções em críticas à gestão federal e apresentou propostas voltadas ao combate à criminalidade, à redução do endividamento das famílias e à melhoria dos serviços públicos.

Um dos principais embates ocorreu quando Flávio questionou Lula sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. O senador mencionou suspeitas de corrupção e tráfico de influência e citou a lobista Roberta Luchsinger, investigada em procedimentos relacionados ao caso.

Lula respondeu que as investigações devem prosseguir independentemente de vínculos familiares e afirmou que não interferiria na atuação da Polícia Federal. O presidente também direcionou questionamentos ao adversário sobre recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio não esclareceu o destino dos valores mencionados durante o confronto.

Na área de segurança pública, Flávio defendeu medidas mais rigorosas contra o crime organizado. Entre as propostas apresentadas estão a classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas, a criação de 500 mil vagas no sistema penitenciário e a ampliação do uso de câmeras de reconhecimento facial em todo o território nacional.

O senador também criticou as saídas temporárias de presos, conhecidas como “saidinhas”, e questionou Lula sobre a manutenção do benefício. Para Flávio, a legislação precisa dar maior atenção à proteção das vítimas e ao cumprimento das penas.

Lula defendeu a manutenção das saídas temporárias para presos que apresentem bom comportamento e estejam em processo de ressocialização, com restrições para condenados por crimes graves. O presidente também reafirmou a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública, com o objetivo de ampliar a integração entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade.

Outro assunto de destaque foi o fim da escala de trabalho 6×1, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional. Flávio Bolsonaro reafirmou seu voto favorável à medida e explicou que reconsiderou sua posição após ouvir trabalhadores sobre a importância de ampliar os períodos de descanso.

“Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros”, declarou.

Anteriormente, o senador havia manifestado preocupação com os impactos econômicos da proposta, especialmente sobre os custos das empresas e a manutenção dos empregos. Durante o debate, Flávio negou que pretenda alterar a legislação recém-aprovada, após ser questionado por Lula.

O presidente, por sua vez, destacou a redução da jornada como uma conquista dos trabalhadores e criticou o histórico de posicionamentos do adversário sobre o tema.

Na economia, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao custo de vida e ao endividamento das famílias brasileiras. O candidato afirmou que pretende criar condições para que a população recupere o poder de compra e tenha maior capacidade de organizar suas finanças.

Entre as medidas defendidas pelo senador está a renegociação de dívidas, com possibilidade de carência de um ano para o início dos pagamentos. Flávio também falou sobre a necessidade de controlar os gastos públicos, reduzir a pressão sobre os juros e criar oportunidades de crescimento econômico.

Lula respondeu destacando resultados econômicos de seus governos, como crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), ampliação do acesso ao sistema bancário e políticas de distribuição de renda. O presidente também defendeu investimentos em educação técnica, inovação e apoio às pequenas e médias empresas.

Na saúde, Flávio apresentou a intenção de convidar o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo. O senador afirmou que pretende levar padrões de qualidade associados à instituição para o Sistema Único de Saúde (SUS), defendendo melhorias na gestão e no atendimento à população.

Lula questionou a proposta e levantou dúvidas sobre uma eventual privatização do sistema público. O presidente também criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro, responsabilizando a administração anterior por falhas na resposta à crise sanitária.

Flávio rebateu as críticas e afirmou que o governo de seu pai enfrentou uma situação inédita, marcada por dificuldades e incertezas sobre as medidas necessárias para combater a pandemia.

As relações internacionais também provocaram divergências. Flávio defendeu a cooperação com os Estados Unidos, especialmente em iniciativas de enfrentamento ao crime organizado. O senador negou ter atuado para prejudicar empresas brasileiras por meio de tarifas comerciais.

Lula, por outro lado, questionou a proximidade da família Bolsonaro com autoridades norte-americanas e defendeu a preservação da soberania brasileira, especialmente nas negociações envolvendo recursos minerais estratégicos.

Em outro momento, o presidente desafiou Flávio a apresentar seus sigilos bancários e telefônicos, incluindo informações de familiares, para permitir a apuração de possíveis irregularidades. O senador respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente a aceitação da proposta nos termos apresentados.

O debate também teve momentos de tensão, interrupções e intervenções dos mediadores Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. Em determinado momento, Flávio recebeu um direito de resposta e utilizou o espaço para abordar questões relacionadas à segurança pública e às condições de vida da população.

Após o encerramento do programa, uma suspeita de bomba em um veículo estacionado nas dependências da emissora mobilizou equipes especializadas da Polícia Militar de São Paulo. A área foi isolada temporariamente e, depois de uma vistoria, nenhum explosivo foi encontrado.

O primeiro confronto televisivo entre Lula e Flávio Bolsonaro evidenciou as diferenças entre os projetos apresentados pelos candidatos. Enquanto o senador priorizou críticas à atual administração e propostas de endurecimento da segurança pública, reorganização econômica e melhorias na saúde, o presidente defendeu os resultados de seus governos e a continuidade de suas políticas sociais e trabalhistas.

Os dois candidatos voltam a disputar a preferência do eleitorado no próximo domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros escolherão o presidente da República para o mandato de 2027 a 2030.

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