A Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e Pernambuco, na terça-feira (27), durante a Operação Entressafras, que investigou possíveis irregularidades na gestão de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque, o São Roque Prev. Segundo a corporação, o prejuízo estimado foi de aproximadamente R$ 121 milhões, valor também bloqueado em bens e recursos dos investigados.
A investigação abrangeu investimentos realizados entre 2022 e 2024, incluindo R$ 80 milhões em Letras Financeiras e R$ 20 milhões em um fundo de investimento imobiliário. A PF apurou suspeitas de que as aplicações teriam sido autorizadas com pareceres técnicos genéricos, sem fundamentação suficiente e sem avaliações adequadas sobre riscos, alternativas disponíveis no mercado e diversificação da carteira.
Outra suspeita foi a de que os emissores dos títulos teriam sido escolhidos antes da análise dos riscos das operações. Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, peculato financeiro, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública, entre outros delitos. As possíveis responsabilidades ainda estão sob apuração.
Os investimentos do instituto no Banco Master também foram analisados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal de São Roque, que concluiu seus trabalhos em julho. Conforme o relatório, a autarquia aplicou mais de R$ 93 milhões em Letras Financeiras da instituição ao longo de 2024, o equivalente a aproximadamente 18,8% de seu patrimônio líquido. Outros R$ 20 milhões foram destinados ao Fundo de Investimento Imobiliário Neteagle, relacionado ao grupo financeiro.
A comissão questionou a concentração de recursos, a baixa liquidez dos ativos e a ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. O relatório apontou riscos e comprometimento da carteira após a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, sem afirmar a perda definitiva dos valores.
Em outra frente, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo julgou irregulares as contas de 2024 do São Roque Prev, em decisão de 19 de outubro, e determinou ao ex-diretor-presidente Vanderlei Massarioli o ressarcimento de R$ 93,15 milhões. O tribunal também determinou que o instituto apurasse a eventual responsabilidade de outras pessoas.
Em nota, o São Roque Prev informou que colaborou com as autoridades e forneceu os documentos e esclarecimentos solicitados. Segundo a autarquia, a diligência em sua sede se restringiu a materiais relacionados ao ex-presidente, sem recolhimento de documentos, bens ou equipamentos pertencentes ao instituto.
A entidade afirmou que manteve suas atividades normalmente e que não houve impacto imediato no pagamento de aposentadorias e pensões. Também declarou possuir patrimônio superior a R$ 520 milhões e acompanhar a liquidação da instituição financeira para defender os interesses dos segurados.
A Prefeitura de São Roque informou que acompanhou as investigações e se colocou à disposição das autoridades. A defesa de Vanderlei Massarioli declarou que não se manifestaria.